Dica 36 · Macro · 50 s
Na aula
Nem toda morte é erro, e essa é das coisas mais difíceis de aceitar pra quem aprendeu que KDA é nota. A régua certa não é o número de mortes: é o que cada morte comprou. Você olha a luta, olha a situação do mapa, e entende até onde a sua vantagem permite que você perca. Tem jogador profissional de top que joga assim de propósito. Ele usa as próprias mortes pra fazer o time inimigo gastar tempo com ele — gente que atravessa o mapa, que para de farmar, que larga um objetivo pra ir atrás — enquanto o time dele conquista outro lugar sem resistência nenhuma. A morte dele foi o preço de uma torre, de um dragão, de um arauto. O saldo é positivo, ainda que o placar fique feio. O número saudável, segundo a aula, é de duas a três mortes intencionais por jogo. Intencionais é a palavra que carrega tudo: precisa haver uma coisa comprada do outro lado. Se você morreu duas, três vezes sem ter comprado nada, aí sim o jogo está perdido, e nenhuma teoria salva. A diferença entre a morte que ganha o jogo e a que perde não está no mapa nem no cronômetro, está na pergunta que você fez antes. O que isso muda na prática: pare de avaliar as suas mortes pelo susto e passe a avaliá-las pelo que o seu time fez nos vinte segundos seguintes. Se ninguém aproveitou, a morte foi só morte.
